Comportamento
O poder do bem
agosto 2010
Estudo explora os benefícios da generosidade.
As boas ações, já se sabe, têm pode multiplicador na sociedade. Toda pessoa tocada pela generosidade alheia fica mais inspirada a passar o gesto adiante. "Gentileza gera gentileza", como pregou o Profeta Gentileza, ou José Datrino, nas ruas do Rio de Janeiro na década de 80. Mas pesquisadores da Universidade de Harvard, dos Estados Unidos, descobriram que a generosidade também pode ter um efeito positivo na pessoa que faz o bem.
Embora contrarie o sentido da generosidade, que visa gerar uma boa ação para os outros, e não para si próprio, os psicólogos da universidade chegaram à conclusão que não se pode ignorar os benefícios do ato generoso no autor do gesto. Segundo um estudo publicado periódico Social Psychological and Personality Science, em 2010, ações morais podem aumentar a capacidade humana de exercer força de vontade e a resistência física. Participantes da pesquisa que cumpriram boas ações, ou que apenas imaginaram-se ajudando outros, conseguiram executar tarefas que requeriam resistência física com maior capacidade na comparação aos não-generosos da pesquisa.
Os pesquisadores fizeram dois testes. No primeiro, os voluntários ganharam um dólar com a opção de ficar com o dinheiro ou doá-lo para caridade. Depois, os participantes tiveram que segurar um peso de 2,5 kg pelo maior tempo possível. Aqueles que optaram pela caridade conseguiram segurar o peso por mais tempo. O segundo teste foi realizado enquanto os voluntários escreviam redações. Aqueles que escreveram sobre histórias de generosidade conseguiram segurar outro peso por mais tempo enquanto redigiam o texto.
Apesar de simples, os pesquisadores comemoram o resultado porque pode ajudar a explicar melhor porque algumas pessoas têm mais força de vontade que outras. Segundo Kurt Gray, responsável pelo estudo, a pesquisa indica que atos de heroísmo não são resultado apenas de força de vontade, mas que a força de vontade é estimulada por atos heróicos. Ou seja, personalidades como Gandhi ou Madre Teresa de Calcutá não eram, necessariamente, mais dotados de força de vontade que pessoas comuns. Eles adquiriram força de vontade ao praticar a generosidade, indica a pesquisa.
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