Comportamento

O poder da hipnose

setembro 2010

Fogo e aromas empurram o ser humano para as cercanias do fogão.


Quem nunca se deixou hipnotizar pela imagem da chama e pelo aroma solto no ar? Quase nem é preciso escolher um assunto quanto se está diante dessa cena: o olfato e a visão se encarregam de levar boas vibrações ao cérebro.

Ao longo de dois séculos, as cozinhas deixaram de ser ambientes enfumaçados e distantes do ambiente doméstico para ganhar um lugar literalmente central nos apartamentos modernos. Caíram as paredes que deixavam os cozinheiros alijados da convivência em família - e o fogão e as panelas, antes objetos que não podiam vir a público, se transformavam nas estrelas principais dos encontros.

Mas como ocorreu a transformação? Estudiosos atribuem as mudanças à introdução do gás encanado e à revolução nos hábitos domésticos, oriunda da industrialização e da ocupação das cidades. Os eletrodomésticos nunca foram tão silenciosos e eficientes, as coifas não deixam qualquer resquício de fumaça no ambiente, o fogão elétrico ou a gás oferece a chance para o cozinheiro de ele próprio controlar o calor para o cozimento.

A evolução técnica certamente contribui para cozinhas mais agradáveis, mas o verdadeiro motivo, o mais íntimo deles, talvez seja bem mais emocional do que fruto de transformações históricas. Nada disso faria sentido sem a hipnose do fogo e um punhado de temperos para encher o ambiente. A visão de panelas fumegantes e cozinheiros em sintonia com química dos sabores encanta o ser humano, que enxerga ali a antecipação do prazer de sentar à mesa e repor as energias.

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