Comportamento
Alegria úmida de verão, sem culpa
janeiro 2011
No calor, encontre uma forma conciliar as brincadeiras com a água e a preocupação ecológica
Assim que o termômetro ultrapassa a marca dos 32ºC, as torneiras são abertas. As mangueiras, desenroladas. O aspirador desliza no fundo da piscina, macio como o prenúncio de boas notícias. O verão no Brasil convida o corpo para um encontro com a água. Idosos boiam no mar. Homens lavam seus carros como desculpa para refrescar as canelas. Crianças enchem balões de água. Mulheres dão mergulhos nos intervalos do banho de sol.
Nem os indícios de que, no futuro, a água potável pode se tornar recurso raro detém a compulsão do homem. A paixão é antiga. Em Moby Dick, o clássico romance de Herman Melville de 1851, o narrador chama-se Ismael e tem atração pelas águas. Sem motivo aparente, junta-se à equipe de um navio e singra os mares em busca da vingança do seu capitão contra uma baleia. Ismael se diz magnetizado pelo mar: “Acredito que ele atua como um imã poderoso sobre muita gente”. As filas de carros que rumam para o litoral como aves migratórias estão aí para provar a tese do personagem.
Boa parte da vida social da Roma Antiga ocorria nas termas, os espaços públicos de prática esportiva onde piscinas serviam de ponto de encontro e refresco para a jovem Civilização Ocidental.
Mas os tempos são outros e a questão ambiental surge: como encontrar o equilíbrio entre o refresco e o desperdício? Para cada banho de mangueira, há o dobro de organizações não governamentais condenando a brincadeira, munidas das melhores intenções. Não há solução fácil e não cabe culpar os ambientalistas, que fazem um trabalho importante.
Para aliviar a consciência e temperatura, a saída é economizar água o ano inteiro, e não apenas no breves momentos de diversão do verão. Cuide das torneiras de casa e acostume-se a sair do banho dois minutos antes do habitual. Em dias de chuva, deixe baldes na rua para turbinar o refresco de logo mais. Na hora de molhar a grama, coloque roupas de banho nas crianças e use a mangueira para refrescar todos. E muito importante: convença o zelador e o vizinho a deixar o hábito de varrer as folhas da calçada com água. Cada calçada molhada garante quantas guerras de balões de água ao final do ano? Afinal, uma vez que o magnetismo pela água é inseparável do homem, use-o a favor do racionamento.
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