Meio Ambiente

Um elemento em evaporação

setembro 2009

O Dia Mundial da Água chega em 2006, neste 22 de março, com um alerta. Aparte do desenvolvimento econômico, científico e tecnológico da sociedade, há uma espécie de amnésia sobre o mais básico dos elementos naturais.

Para marcar a data, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou o Relatório das Nações Unidas Sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos no Mundo, um documento elaborado a cada três anos e que pretendia pautar as discussões do 4º Fórum Mundial da Água, sediado neste ano pela Cidade do México, entre os dias 16 e 22 de março.

Em tom de preocupação, a ONU sustenta no relatório que um quinto da população do planeta – mais de 1,1 bilhão de pessoas – não possui acesso à água potável e 40% não dispõe de condições sanitárias básicas.

Confira abaixo outras revelações do texto da organização – e comece a se preocupar com o futuro:

> Apesar dos progressos, a meta da ONU de reduzir pela metade a proporção de pessoas sem saneamento básico não será alcançada globalmente se as atuais tendências persistirem. De acordo com o estudo, “a má gestão, a corrupção, a falta de instituições apropriadas, a inércia burocrática e a carência de novos investimentos na construção de capacidades humanas assim como em infra-estruturas físicas” são amplamente responsáveis por esta situação.

> Aproximadamente 1,6 milhão de vidas poderiam ser salvas anualmente apenas com o fornecimento de água potável, saneamento básico e higiene.

> O mundo necessitará de 55% mais comida em 2030. Isso deve ser traduzido em uma demanda crescente de irrigação, que já utiliza cerca de 70% de toda a água para consumo humano. A produção de alimento teve um grande crescimento nos últimos 50 anos, entretanto 13% da população mundial (850 milhões de pessoas, a maioria da área rural) ainda não dispõem de alimentos suficientes.

> Durante o século 20, a utilização da água cresceu seis vezes, duas vezes mais do que a taxa de crescimento populacional.

> Em muitos lugares do mundo, um enorme percentual de 30% a 40% dos recursos hídricos são desviados por escapes de água por canos ou via canais e por conexões ilegais.

A solução, segundo a ONU, é cobrar dos governos atitudes mais responsáveis em relação à gestão da água. Corrupção é outro mal a ser combatido: boa parte dos financiamentos destinados ao saneamento básico de zonas pobres não chegam para os cidadãos mais necessitados. Os brasileiros estão acostumados – infelizmente – a conhecer escândalos neste sentido, mas a ONU alerta que o desvio de recursos é uma prática mundial.

Para a organização, a água precisa ser prioridade no presente para que, no futuro, seja um problema do passado.

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